Um conto para o Haiti

18 01 2010


Inspirado pelo site Crossed Genres, o blog Ficção Científica e Afins, de Ana Cristina Rodrigues, criou uma iniciativa para ajudar as vítimas do terremoto no Haiti.

A proposta é a seguinte: cada escritor publica um conto em seu site ou blog e disponibiliza um link para a página do Ficção Científica e Afins que informa como ajudar o povo haitiano.

Me junto à iniciativa postando abaixo um conto que participou de uma rodada de minicontos da Fábrica dos Sonhos em 2007. O conto não fala do Haiti, mas tem uma personagem haitiana. :)

Para ajudar o Haiti, clique aqui.

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Fora da ordem

Por Carlos Relva

Planto a caneca que acabei de tomar café sintetizado na cabeça do garoto. Pirralho danado! Já disse para não usar o rádio, podemos ser localizados.

O garoto e a haitiana são o que sobrou do meu esquadrão. Agora o tanque é operado apenas por nós três. Conheci os dois na última missão. Adolescentes com famílias destruídas, sem ninguém… Insistiram em fazer parte da equipe. Eles têm potencial. E a garota está ficando bonitinha…

O tanque emprega inteligência artificial, apesar de não ser tão “inteligente” assim. Basicamente, serve para sintetizar alimentos e encontrar minas explosivas de profundidade.

E a sua munição está acabando! Não tem mais nada para os canhões. Só um pouco para o armamento leve.

O restante dos meus subordinados? Mortos pela corporação Liu Sarasvati! Aqueles desgraçados até transformaram meus homens em necrosoldados. Há uns dois anos vi a cabeça de Mendez, meu antigo subcomandante, no corpo mecânico de um necrosoldado. Quase nos pegaram naquela ocasião…

Estamos enfurnados neste tanque há quatro anos. Isso é tempo! Percorremos milhas de geleira antártica, por cima e por baixo, andando em ziguezague para desviar de armadilhas, tentando alcançar um posto estratégico inimigo e destruí-lo. Finalmente, estamos perto do nosso objetivo.

Passo o briefing da missão, e horas depois eu e o garoto já estamos no gelo com as mochilas explosivas em nossas costas. A haitiana fica a bordo, a espera do nosso retorno.

Corremos alguns metros e ouço um estalo… Minas de superfície! Tão pequenas que o tanque não detectou. O chão explode e vejo minha perna direita voar pelos ares! O garoto está bem.

- Corre moleque! – grito agonizando. O garoto passa pelas minas e desaparece num declive.

O céu enche de flutuadores inimigos. Chegaram rápido demais! Os necrosoldados descem. Meto bala neles, mais parecem não sentir. Perdi! Pego a pistola e resolvo dar um tiro na minha cabeça.

- O que vai fazer? – pergunta um necrosoldado enquanto retira o capacete. É Mendez!

- Não vou me tornar um necrosoldado! – respondo, já com a vista meio turva.

- Isso é lenda! – diz Mendez. – Aliás, a guerra acabou, sabia?

- Acabou?

- Sim, a Liu Sarasvati comprou a Valdez, da qual somos subsidiários. Agora, a nova megacorporação tem prazo para reconstruir tudo. Estamos tentando entrar em contato com você há dois anos, mas o seu rádio nunca está funcionando!

Enquanto médicos começam os procedimentos para clonagem da minha perna, uma mulher se aproxima de Mendez. Suponho ser a comandante. Apesar do exoesqueleto blindado, vejo que é bonita. Informa que o garoto e a menina já foram capturados, estão seguros e se divertem num vôo de flutuador.

Ao se retirar, ela me oferece um leve sorriso, cumprimentando-me com reverência. Seu rosto tem um traço exótico, indiano. Não sei se a saudação respeitosa é um costume de seu povo ou se ela tem admiração por mim: fui um peixe difícil de pescar! Prefiro a segunda hipótese.

- Só você sobreviveu àquele ataque em Windhond? – pergunto.

- Não, há muitos outros…

Essa foi a segunda melhor notícia do dia.

- Jeitosinha sua comandante, hein? – mudo de assunto.

- Mulherengo como sempre, capitão? – diz Mendez, dando gargalhadas.

- Ora, já que a guerra acabou, tenho que usufruir do que a nova ordem mundial tem a oferecer, não é mesmo?





Amigo Secreto Literário de Natal 2007 no Calaméo

13 01 2010

Projeto desenvolvido por Joshua Falken, da Fábrica dos Sonhos, onde cada escritor presenteou outro com um conto, usando como inspiração para elaboração do texto uma imagem fornecida pelo próprio presenteado.

Foram treze participantes e o resultado do projeto ficou muito bom!





Black Rocket 3 no Calaméo

12 01 2010

Abaixo, a edição de Natal da revista Black Rocket, agora também no Calaméo, postada via Vodpod.

Ou, se preferir, acesse o Black Rocket 3 no Calaméo aqui!

more about “Black Rocket 3“, posted with vodpod




O Coração Delator

11 01 2010

Quando criança, eu morria de medo dessa animação baseada em um conto de Edgar Allan Poe. Passava esporadicamente na sessão de desenhos de Mr. Magoo, também da UPA Cartoon.

É um trabalho primoroso, com um clima sombrio, doentio.

A narração é do ator James Mason, numa excelente interpretação.

Em tempo: Alvaro Domingues do Homem Nerd informou que o episódio de Bob Esponja “Botas que rangem” também é uma homenagem ao mesmo conto de Poe:





Há muito tempo…

9 01 2010

Clique para ampliar:





A Última Ceia – várias versões pop

7 01 2010

Como parte das ações de divulgação da última temporada de Lost, a ABC adaptou o famoso afresco de Leonardo da Vinci com os personagens da misteriosa e perigosa ilha tropical.

Mas essa brincadeira não é tão original assim. Já foram criadas muitas versões da Última Ceia para finalidades diversas no mundo do entretenimento. Seguem abaixo algumas.

Mas antes, a versão original de da Vinci:

Versão Battlestar Galactica

Versão House

Versão Família Soprano

Versão Arquivo X

Versão Os Simpsons

Versão South Park

Versão Popeye

Versão Lego

E, finalmente, versão Star Wars

Será que Robert Langdon explica isso?





Separados no nascimento – parte 9

5 01 2010

Esquerda: domo sobre Springfield em “The Simpsons Movie”, 2007.
Direita: domo sobre uma pequena cidade do Maine no livro “Under The Dome“, de Stephen King.





Black Rocket 3

22 12 2009

Perdidos no continuum interdimensional por quase um ano, a tripulação da Black Rocket finalmente conseguiu encontrar as coordenadas de regresso para a nossa realidade. E isso a tempo de preparar esta edição natalina para você!

São seis contos ambientados em épocas diferentes do Natal: dois no passado, dois no presente e dois no futuro.

Embarque mais uma vez na Black Rocket, tenha uma ótima leitura e um Feliz Natal!

Nesta edição:

VOLTAR A DORMIR
por Leonardo Carrion
Em uma distante e isolada terra gelada, um homem da ciência se vê confrontado por mistérios que nunca imaginou existir.

EMANUEL
por Ubiratan Peleteiro
As dúvidas de um homem comum e as necessidades de um ser alienígena se embatem no dia que seria comemorado por muitas nações.

TRÊS INIMIGOS, UM DESTINO
por Aguinaldo Peres
Três homens de nações inimigas, fazendo de tudo para matar um ao outro, tornam-se sem querer personagens insuspeitos de um dos maiores acontecimentos da raça humana.

O MECANISMO
por Charles Dias
A herança maldita de um mundo destruído cai nas mãos de um grupo terrorista que deseja usá-la para causar, no dia de Natal, o maior atentado terrorista da história da humanidade.

MILAGRES ACONTECEM
por Carlos Relva
No planeta Marte, em uma época de pouca esperança e muito medo de uma grande guerra entre mundos irmãos, o espírito de Natal se revela através de uma entidade consciente de realidade virtual.

PULSO
por Joshua Falken
Muitos anos após parte da população terrestre ter sido vitimada por uma estranha anomalia transmitida via satélite, um homem se vê diante de um velho amor que agora é muito mais do que um dia foi.

Black Rocket 3:
http://www.4shared.com/file/178705268/8b6ac87d/black_rocket03.html

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Baixem também (clique com o botão direito e depois em “salvar como”):

Black Rocket 1:
http://www.scarium.com.br/efanzines/black_rocket/black_rocket01.pdf

Black Rocket 2:
http://www.scarium.com.br/efanzines/black_rocket/black_rocket02.pdf

Amigo Secreto Literário de Natal 2007:
http://www.scarium.com.br/efanzines/amigo_secreto/amigo_secreto_2007.pdf

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Para saber mais:
http://www.black-rocket.blogspot.com

Divirtam-se e deixem comentários no blog!





Uma pequena interpretação para Matrix Revolutions

29 10 2009

(originalmente postado na lista Ficfan, em 10 de novembro de 2003)

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Neo acorda de seu coma forçado, induzido por Merovíngio. Ele está em uma estação de metrô. Na verdade, um local intermediário entre a Matrix e o mundo real. Uma espécie de ambiente DOS, um purgatório regido pelo companheiro de Persephone. Uma menininha, Sati, começa a dialogar com nosso herói. Ela é um elemento novo na trama, e uma das chaves para a compreensão do destino que Neo tentará traçar para a Matrix. Os pais de Sati, programas desenvolvidos na Matrix, chamam-na para perto. Neo também se aproxima e tem um longo diálogo filosófico, sobre “carma” e “amor”, com o pai da menina. Um programa também pode acreditar em carma? Se tive fé, por que não…? Sati e seus pais, programas criados pela Matrix, consideram aquele mundo virtual como real. Eles têm medos e esperanças como nós. Procriam. E não querem morrer. Vida criada pela Matrix? Afinal, o que define vida?

A partir desse encontro, Neo formata o caminho que trilhará daqui em diante.

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Enquanto isso, Seraph, mais um programa desenvolvido pelo sistema, convoca Morpheus e Trinity a se plugarem novamente a Matrix. Seraph sabe como tirar a consciência de Neo daquele limbo digital. O trio vai ao encontro de Merovíngio. Após uma troca de ameaças Trinity aponta uma arma na cabeça do francês e dá xeque mate. Trinity matará Merovíngio se ele não libertar Neo. Persephone sabe que não é um blefe. Só mesmo uma mulher para entender outra (mesmo que seja um programa).

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Neo, no Purgatório, livre das amarras da Matrix e da realidade, tenta descobrir uma maneira de voltar ao mundo real. Nessa tentativa, sua consciência se expande, e ele tem uma visão: o centro da Matrix. O 01. O local do confronto final. Chega o trem, mas uma vez Trinity mostra o caminho para Neo. O que seria dos homens sem as mulheres?

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Neo visita novamente seu velho amigo Oráculo. Ele quer conselhos, mas o Oráculo sabe que seu caminho já foi escolhido. Oráculo diz: “tudo que começa, um dia termina”. Parece uma frase enigmática, mas na verdade é um código de acesso que Neo terá que usar. O Oráculo é um programa independente, talvez criado pela Matrix para testar o sistema. Um software de auditoria, de checagem dos registros. Nas muitas versões da Matrix e de Zion, o Oráculo aprendeu muito e fez suas escolhas. Ele não quer o novo fim de Zion e o boot do sistema, quer a revolução da Matrix, há mais vida em jogo do que pensamos. Ele também sabe que Smith, o vírus, é uma anomalia no sistema. Smith foi além das capacidades originais e, assim como Neo, surpreendeu a Matrix. Smith é o vírus perfeito, um World ou um Photoshop que conseguiu independência. Smith é o outro lado de Neo. Ele não segue mais o sistema, está fora do controle da Matrix. Oráculo quer servir de interface entre o vírus e a Matrix, quer ser o caminho de entendimento do funcionamento do vírus. Por isso, deverá deixar que Smith o assimile.

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Agora, no mundo real, as forças de defesa de Zion se preparam para o confronto final. As chances para os humanos são poucas… Para não dizer nenhuma! As brocas gigantes já estão terminando de perfurar a entrada para a fortaleza. Numa reunião de oficiais, Neo pede o inusitado: uma nave para leva-lo até a cidade das máquinas. Num momento em que todas as forças de defesa humanas estão centradas na defesa de Zion, esse pedido é inconcebível. Mas, Niobe cede sua nave a Neo. Afinal, temos que encontrar a solução para o problema fora dele. Niobe não acredita no predestinado, mas acredita em Neo.

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Mifune
, um verdadeiro mestre de samurais, encaminha seus guerreiros para o front de batalha contra as sentinelas, os hardwares de combate da Matrix. Antes, porém, como um típico professor, repreende a desastrada conduta do aprendiz que carrega munições. Sacrifícios humanos, em favor de Zion, estão para acontecer…

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Toda a trama começa a se centralizar em um único foco, o amor. O amor dos pais por Sati. O amor de Trinity por Neo. O amor de Mifune pela liberdade. E o amor de Zee pelo seu lar e sua família. Zion é o lar de Zee e para defende-la, lutará até o fim. E se precisar lutar uma guerra de humanos contra máquinas não se acovardará. E numa guerra de homens temos que lutar como um homem! Por isso, Zee se une a uma combatente masculinizada e com uma arma fálica defenderá a imaculada Zion de ser penetrada, sem permissão, por outro elemento fálico, a broca das sentinelas.

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Próximo da morte, Mifune passa seu estandarte para o jovem aprendiz. É hora do aprendiz se tornar mestre! O aprendiz tem que abrir o acesso de Zion à nave pilotada por Niobe, e para isso tem a ajuda de Zee, a zeladora da fortaleza, a dona da casa.

Sucesso! Os sentinelas são vencidos. Mas uma nova leva de sentinelas está a caminho e as chances dos humanos, até agora mínimas, chega quase a zero!

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Cabe a Neo, o predestinado, ignorado pela maioria dos habitantes de Zion, a cartada final. Após uma luta com um Smith “encarnado”, onde descobre que a essência de nosso universo é muito semelhante a da Matrix (afinal, a matemática não é “o alfabeto com o qual Deus escreveu o Universo”?) e após ficar cego pelas mãos do malfeitor, Neo é levado ao encontro do centro da Matrix por Trinity. Como Lilith e Eva, Trinity é o fator feminino de oposição a cegueira masculina. Ela tira Neo do paraíso de Zion e dos túneis misteriosos que o cercam e o leva até o ponto de convergência, a verdade, de onde não se pode mais voltar. A Matrix, com medo, manda um pelotão de sentinelas em direção da nave de Neo. Tempo perdido! Neo pode acessar a Matrix a distância, não precisa mais se plugar ao sistema. A Matrix é um universo em miniatura dos nosso próprio Universo. Segue leis parecidas. Não podemos voar no sistema operacional Universo como Neo o faz no sistema operacional Matrix, pela simples questão que estamos dentro desse ambiente. Não existimos fora do Universo. Se existíssemos, teríamos poderes ilimitados.

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Trinity tem a oportunidade de ver o sol e admirar sua beleza. Ela vê a luz… sua missão está comprida. Precisa deixar Neo encontrar sua verdade sozinho.

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Agora, Neo confronta a Matrix na sua versão antropomórfica e esfíngica. A Matrix, o Deus criado pelo homem, pergunta a Neo se tem medo de sua própria criação. Porém, a Matrix, um Windows em versão definitiva, está tão vislumbrada com sua própria grandeza, que não percebe que ainda segue a programação desenhada pelo homem. Ela não percebe que precisa do homem, não por ser um Duracell eficiente para seu sistema funcionar, mas porque, sem o homem, ela não tem razão de existir. Neo sabe disso, e, por seu amor pela vida, seja orgânica ou não, barganha com a máquina: Zion e a liberação dos humanos presos ao sistema pela eliminação total do vírus Smith que compromete toda a Matrix. O enigma da esfinge está respondido. A decisão que Neo tomou no metro está esclarecida.

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Chegou a hora do confronto final entre Neo e Smith. Em particular o Smith que assimilou o Oráculo. Uma longa batalha se inicia. Mas a superioridade do Smith upgradeado é nítida nos momentos finais. Neo, aparentemente vencido, deixa que Smith o assimile. O código fonte de Neo é o último passo para Smith se tornar supremo e poder redesenhar o sistema a sua vontade. Mas o entendo de Smith será mal fadado. A essência do Oráculo ainda está nesta cópia do vírus. O Oráculo serve de interface entre Smith e a Matrix. Neo é o usuário do sistema que precisa optar, entre o “sim” e o “não”, na janela do antivírus que diz: “O vírus Smith foi detectado no sistema Matrix, deseja deletá-lo?”. Neo é o fator humano que interage com o sistema. Ele opta pelo “sim” e o vírus Smith é eliminado.

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Neo redime os pecados dos homens e das máquinas. Sua missão também está comprida. O sol que Sati cria na Matrix é o mesmo que Trinity admirou no mundo real. Sati é o reinício da eternidade. A criança, a esperança de uma nova vida, de uma revolução. Agora a vida pode seguir em paz…

A vida orgânica e a digital.





Guia de sobrevivência no espaço – Dica 6

28 10 2009

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