Uma pequena interpretação para Matrix Revolutions

29 10 2009

(originalmente postado na lista Ficfan, em 10 de novembro de 2003)

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Neo acorda de seu coma forçado, induzido por Merovíngio. Ele está em uma estação de metrô. Na verdade, um local intermediário entre a Matrix e o mundo real. Uma espécie de ambiente DOS, um purgatório regido pelo companheiro de Persephone. Uma menininha, Sati, começa a dialogar com nosso herói. Ela é um elemento novo na trama, e uma das chaves para a compreensão do destino que Neo tentará traçar para a Matrix. Os pais de Sati, programas desenvolvidos na Matrix, chamam-na para perto. Neo também se aproxima e tem um longo diálogo filosófico, sobre “carma” e “amor”, com o pai da menina. Um programa também pode acreditar em carma? Se tive fé, por que não… Sati e seus pais, programas criados pela Matrix, consideram aquele mundo virtual como real. Eles têm medos e esperanças como nós. Procriam. E não querem morrer. Vida criada pela Matrix? Afinal, o que define vida?

A partir desse encontro, Neo formata o caminho que trilhará daqui em diante.

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Enquanto isso, Seraph, mais um programa desenvolvido pelo sistema, convoca Morpheus e Trinity a se plugarem novamente a Matrix. Seraph sabe como tirar a consciência de Neo daquele limbo digital. O trio vai ao encontro de Merovíngio. Após uma troca de ameaças Trinity aponta uma arma na cabeça do francês e dá xeque mate. Trinity matará Merovíngio se ele não libertar Neo. Persephone sabe que não é um blefe. Só mesmo uma mulher para entender outra (mesmo que seja um programa).

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Neo, no Purgatório, livre das amarras da Matrix e da realidade, tenta descobrir uma maneira de voltar ao mundo real. Nessa tentativa, sua consciência se expande, e ele tem uma visão: o centro da Matrix. O 01. O local do confronto final. Chega o trem, mas uma vez Trinity mostra o caminho para Neo. O que seria dos homens sem as mulheres?

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Neo visita novamente seu velho amigo Oráculo. Ele quer conselhos, mas o Oráculo sabe que seu caminho já foi escolhido. Oráculo diz: “tudo que começa, um dia termina”. Parece uma frase enigmática, mas na verdade é um código de acesso que Neo terá que usar. O Oráculo é um programa independente, talvez criado pela Matrix para testar o sistema. Um software de auditoria, de checagem dos registros. Nas muitas versões da Matrix e de Zion, o Oráculo aprendeu muito e fez suas escolhas. Ele não quer o novo fim de Zion e o boot do sistema, quer a revolução da Matrix, há mais vida em jogo do que pensamos. Ele também sabe que Smith, o vírus, é uma anomalia no sistema. Smith foi além das capacidades originais e, assim como Neo, surpreendeu a Matrix. Smith é o vírus perfeito, um World ou um Photoshop que conseguiu independência. Smith é o outro lado de Neo. Ele não segue mais o sistema, está fora do controle da Matrix. Oráculo quer servir de interface entre o vírus e a Matrix, quer ser o caminho de entendimento do funcionamento do vírus. Por isso, deverá deixar que Smith o assimile.

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Agora, no mundo real, as forças de defesa de Zion se preparam para o confronto final. As chances para os humanos são poucas… Para não dizer nenhuma! As brocas gigantes já estão terminando de perfurar a entrada para a fortaleza. Numa reunião de oficiais, Neo pede o inusitado: uma nave para leva-lo até a cidade das máquinas. Num momento em que todas as forças de defesa humanas estão centradas na defesa de Zion, esse pedido é inconcebível. Mas, Niobe cede sua nave a Neo. Afinal, temos que encontrar a solução para o problema fora dele. Niobe não acredita no predestinado, mas acredita em Neo.

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Mifune
, um verdadeiro mestre de samurais, encaminha seus guerreiros para o front de batalha contra as sentinelas, os hardwares de combate da Matrix. Antes, porém, como um típico professor, repreende a desastrada conduta do aprendiz que carrega munições. Sacrifícios humanos, em favor de Zion, estão para acontecer…

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Toda a trama começa a se centralizar em um único foco, o amor. O amor dos pais por Sati. O amor de Trinity por Neo. O amor de Mifune pela liberdade. E o amor de Zee pelo seu lar e sua família. Zion é o lar de Zee e para defende-la, lutará até o fim. E se precisar lutar uma guerra de humanos contra máquinas não se acovardará. E numa guerra de homens temos que lutar como um homem! Por isso, Zee se une a uma combatente masculinizada e com uma arma fálica defenderá a imaculada Zion de ser penetrada, sem permissão, por outro elemento fálico, a broca das sentinelas.

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Próximo da morte, Mifune passa seu estandarte para o jovem aprendiz. É hora do aprendiz se tornar mestre! O aprendiz tem que abrir o acesso de Zion à nave pilotada por Niobe, e para isso tem a ajuda de Zee, a zeladora da fortaleza, a dona da casa.

Sucesso! Os sentinelas são vencidos. Mas uma nova leva de sentinelas está a caminho e as chances dos humanos, até agora mínimas, chega quase a zero!

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Cabe a Neo, o predestinado, ignorado pela maioria dos habitantes de Zion, a cartada final. Após uma luta com um Smith “encarnado”, onde descobre que a essência de nosso universo é muito semelhante a da Matrix (afinal, a matemática não é “o alfabeto com o qual Deus escreveu o Universo”?) e após ficar cego pelas mãos do malfeitor, Neo é levado ao encontro do centro da Matrix por Trinity. Como Lilith e Eva, Trinity é o fator feminino de oposição a cegueira masculina. Ela tira Neo do paraíso de Zion e dos túneis misteriosos que o cercam e o leva até o ponto de convergência, a verdade, de onde não se pode mais voltar. A Matrix, com medo, manda um pelotão de sentinelas em direção da nave de Neo. Tempo perdido! Neo pode acessar a Matrix a distância, não precisa mais se plugar ao sistema. A Matrix é um universo em miniatura dos nosso próprio Universo. Segue leis parecidas. Não podemos voar no sistema operacional Universo como Neo o faz no sistema operacional Matrix, pela simples questão que estamos dentro desse ambiente. Não existimos fora do Universo. Se existíssemos, teríamos poderes ilimitados.

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Trinity tem a oportunidade de ver o sol e admirar sua beleza. Ela vê a luz… sua missão está comprida. Precisa deixar Neo encontrar sua verdade sozinho.

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Agora, Neo confronta a Matrix na sua versão antropomórfica e esfíngica. A Matrix, o Deus criado pelo homem, pergunta a Neo se tem medo de sua própria criação. Porém, a Matrix, um Windows em versão definitiva, está tão vislumbrada com sua própria grandeza, que não percebe que ainda segue a programação desenhada pelo homem. Ela não percebe que precisa do homem, não por ser um Duracell eficiente para seu sistema funcionar, mas porque, sem o homem, ela não tem razão de existir. Neo sabe disso, e, por seu amor pela vida, seja orgânica ou não, barganha com a máquina: Zion e a liberação dos humanos presos ao sistema pela eliminação total do vírus Smith que compromete toda a Matrix. O enigma da esfinge está respondido. A decisão que Neo tomou no metro está esclarecida.

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Chegou a hora do confronto final entre Neo e Smith. Em particular o Smith que assimilou o Oráculo. Uma longa batalha se inicia. Mas a superioridade do Smith upgradeado é nítida nos momentos finais. Neo, aparentemente vencido, deixa que Smith o assimile. O código fonte de Neo é o último passo para Smith se tornar supremo e poder redesenhar o sistema a sua vontade. Mas o entendo de Smith será mal fadado. A essência do Oráculo ainda está nesta cópia do vírus. O Oráculo serve de interface entre Smith e a Matrix. Neo é o usuário do sistema que precisa optar, entre o “sim” e o “não”, na janela do antivírus que diz: “O vírus Smith foi detectado no sistema Matrix, deseja deletá-lo?”. Neo é o fator humano que interage com o sistema. Ele opta pelo “sim” e o vírus Smith é eliminado.

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Neo redime os pecados dos homens e das máquinas. Sua missão também está comprida. O sol que Sati cria na Matrix é o mesmo que Trinity admirou no mundo real. Sati é o reinício da eternidade. A criança, a esperança de uma nova vida, de uma revolução. Agora a vida pode seguir em paz…

A vida orgânica e a digital.





Guia de sobrevivência no espaço – Dica 6

28 10 2009

Face-hugger





Use filtro solar…

5 08 2009

… e outros conselhos Jedi:





Virtuality

24 07 2009

Virtuality

Apreciei o tratamento visual dado a Virtuality, o piloto de uma nova possível série de ficção científica de Michael “Battlestar Galactica” Taylor. A ambientação da nave e o desenvolvimento dos personagens faz lembrar uma versão melhorada de Sunshine – Alerta Solar (Sunshine – 2007).

Infelizmente, a primeira parte do filme é extremamente truncada e cansativa, devido às constantes inserções de vinhetas fictícias da FOX e reportagens da tripulação da nave para os telespectadores na Terra. Essas inserções se misturam e entrecortam a história principal a todo instante e, ao invés de trazer dinamismo, proporcionam confusão e ruído… O virtuosismo gráfico de Howard Chaykin nos quadrinhos, em particular em American Flagg, e do cineasta Paul Verhoeven em RoboCop foram novamente imitados em Virtuality, mas sem o mesmo sucesso.

Virtuality

Mas, após quase quarenta minutos de filme, no momento da discussão no refeitório entre as personagens Alice Thibadeau e Sue Parsons, a coisa começa a pegar ritmo! E o final, apesar de um pouco óbvio, ficou também interessante.

Com este saldo positivo, e apesar da audiência do piloto não ter sido essas coisas, eu torço para que a série seja aprovada pela FOX.

Curiosidade (com spoiler): além de Sunshine, a trama de Virtuality me fez lembra uma história da Marvel, publicada no Brasil na extinta revista Premiere Marvel dos anos 80: Caçador 3000 (Seeker 3000).

Caçador 3000

O vilão, Jason, que manipula para proveito próprio o projeto genético de colonização de uma nova Terra, acaba sofrendo um acidente fatal. Entretanto, sua memória é virtualmente guardada no computador principal da nave. Algo parecido com o que acontece com o comandante Frank Pike de Virtuality, não?





Não entre em pânico!

26 05 2009

O Guia do Mochileiro

E COMO FALEI de Douglas Adams no post anterior, vale indicar o excelente podcast especial do Dimensão Nerd de hoje.

Do blog:  “Tiago Andrade recebe Ivan Motosserra, Malcolmtux, Marco Gomes, Renato Cavallera e Trent (com participações especiais de Fernanda Pineda e Vinícius Schiavini) para debater a melhor trilogia em cinco volumes da história da literatura: O Guia do Mochileiro das Galáxias! Saiba que palavrão dá nome a um país, porque o presidente da galáxia é um completo lunático, o que o Guia tem em comum com Ben Linus e como agir quando você não vai com a cara da única personagem feminina da série. E o que Elvis foi fazer num restaurante em outro planeta? O que Arquivo X e o Radiohead têm a ver com tudo isso?”

Ouçam o Dimensão Nerd Extra 1 – O Guia do Mochileiro das Galáxias. Está excelente! :)





O Dia Nerd!

25 05 2009

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Também é conhecido como “Dia da Toalha” em homenagem a Douglas Adams, autor de “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, que faleceu em 11 de maio de 2001

Então por que não se comemora no dia 11? Você pode perguntar. Não faço a mínima ideia…

Mas 25 de maio também é importante devido a dois outros acontecimentos marcantes no universo nerd: os lançamentos dos primeiros filmes das franquias (ou mitologias) Star Wars e Alien. Vejam:

• Uma Nova Esperança (Star Wars IV: A New Hope): 25 de maio de 1977
• Alien, o Oitavo Passageiro (Alien): 25 de maio de 1979





O Milagre da Vida segundo George Lucas

17 03 2009





Separados no nascimento – parte 5

20 02 2009

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Esquerda: verme de areia (sandworm) de “Duna”, 1965.
Direita: verme espacial (space slug) de “O Império Contra-Ataca”, 1980.





Separados no nascimento – parte 4

17 02 2009

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Esquerda:
Doutor Destino, o desfigurado soberano da Latvéria.
Direita: Darth Vader, o desfigurado vilão de Star Wars.





Parafraseando Mundt

16 02 2009

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O site de meu amigo Renato Mundt inaugura uma nova seção: Parafraseando Mundt.

Nessa seção, este ser que vos escreve comenta alguma postagem do próprio Mundt, mas por uma ótica particular.

No primeiro post, parafrasiei seu texto de abertura “Antes de qualquer coisa, quero deixar claro meu protesto contra a tradução brasileira do filme Alien (1979). De onde foram tirar esse título Alien o 8º Passageiro?”, onde critica a omissão do gato Jones como um passageiro também, sendo então o alienígena o 9º passageiro.

No meu artigo eu pioro a coisa, afirmando que o alienígena não é o 8º ou o 9º passageiro e sim o 1º passageiro (os demais ocupantes da nave Nostromo seriam “tripulantes”!).

Acessem o meu artigo em:
http://www.renatomundt.com/?p=102

E boa leitura!