Arquivo do mês: janeiro 2008

Spectreman

Eu lembro de ter assistido o primeiro episódio de Spectreman no SBT, na década de 80 (só descobri agora que a séria já tinha passado na Record no finalzinho de 70).

Spectreman

Como estava acostumado com as séries Ultraman e Ultraseven, uma ou duas gerações anteriores de tokusatsu (como são chamadas as séries de live-action de super-heróis no Japão), achei Spectreman estranho pelos seguintes aspectos:

• Kenji/Spectreman tinha uma amiga japonesa (evidentemente) loira! Bom, isso hoje em dia no Japão não é tão estanho, mas nos anos 80… 
• A Divisão de Pesquisa e Controle de Poluição não tinha uniforme (e eu não conseguia colocar na cabeça que o grupo não era militar!).
• Essa mesma divisão de pesquisa era muito desorganizada (provavelmente por não ser militar!).
• Spectreman tinha um eterno vilão, Doutor Gori. Por que nosso herói não acabava logo com esse gênio do mal? A família Ultra já teria feito isso há muito tempo…

Bom, fora isso, eu também não gostava dos “defeitos especiais” da série. E, apesar dos episódios serem escrachados, não se levarem a sério, sempre me deixavam com uma sensação de melancolia no final. Ora pelo trágico destino dos personagens humanos, ora pelo alerta catastrófico do locutor sobre os desastres ambientais na Terra.

Mas tudo bem, deprê mesmo eu ficava quando assistia “As Aventuras de Pinóquio” (Kashinoki Mokku) anos antes. Aquilo sim era catastrófico, apocalíptico! Mas eu não conseguia deixar de assistir (desenvolvendo aptidões masoquistas em tenra idade!).

Bom, antes que eu comece a chorar, voltemos a Spectreman! Apesar de não gostar de muitos aspectos da série, não deixava de assistir nenhum episódio!

E a ilustração e a musiquinha do encerramento eram muito boas!

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Spacey-Noises

Meu amigo Paulo R. C. Barros, publicitário e artista digital, já produziu diversas “vídeo artes”, muitas disponibilizadas no YouTube. E a partir de seu trabalho “Spacey-Noises” convidou o escritor Georges Bormand a desenvolver um mini-conto.

Acho que o resultado ficou muito bom!

Veja a “vídeo arte”:


 
Para baixar o vídeo clique aqui!

A seguir, o mini-conto desenvolvido por Georges Bormand em quatro versões: português, inglês, espanhol e francês: 
 
Spacey-Noises
Quem disse que no espaço não se ouve nenhum ruído? Isso é verdade, evidentemente, para quem se encontra no vácuo, do lado de fora da nave. Mas dentro da nave, quando ela avança a milhares de quilômetros por segundo, a fricção dos insignificantes átomos de hidrogênio contra as paredes da nave é suficiente para produzir um sibilo contínuo que toma conta do interior da cabine.
 
Toda vez que a nave acelera, o ruído fica mais estridente; para não falar dos encontros com nuvens mais ou menos densas de outros átomos É uma música pungente; não teria sido isso, aliás, que Huygens enalteceu como “a música das esferas”?
 
Alguns astronautas não a toleram, e é preciso abafá-la com sua música favorita, a tocar sem trégua durante toda a viagem; eu a adoro, é a trilha sonora de minhas viagens espaciais e, quando não estou voando, sinto falta dela. A mais leve alteração sonora de freqüência ou amplitude é capaz de me despertar.
 
Registrei alguns minutos de sons particularmente encantadores (é a minha percepção, dispenso comentários) e as imagens que lhes correspondem nos monitores de controle da nave.
 
Quando ponho-os para tocar, algumas pessoas se apiedam de mim e perguntam:
“Como você consegue suportar esse barulho infernal durante uma viagem inteira?”
 
Tenho pena delas, incapazes que são de reconhecer o belo. Pobres diabos.
 
Devo dizer que o vôo durante o qual registrei esses minutos não foi dos mais fáceis; o foguete quase colidiu com um gigantesco asteróide; quando falo de tirar um fino, devo precisar que passei a cerca de dez quilômetros dele; mas a dez quilômetros da parte rochosa estamos numa zona onde a concentração de moléculas de gás é cem vezes maior do que no vácuo ordinário, e o concerto proporcionado pela saraivada de choques contra as paredes da nave foi proporcional a esse adensamento. Ao todo, entre as medidas necessárias para evitar a colisão quando constatei o perigo e as correções de trajetória para compensar os dois desvios – um para contornar o asteróide e o outro causado por sua atração -, foram horas de grande apreensão; de modo que esse registro me lembra também da atenção imprescindível em cada vôo.
 
Além disso, está na hora de concentrar toda minha atenção no vôo de agora, antes que aconteça um acidente porque estou aqui conversando despreocupadamente com vocês…
 
Spacey-Noises
Who said that in space one doesn’t hear any noise? It’s true for one who is in the real void, of course, out of the spatial ship. But inside the ship, when it runs at thousands of kilometers per second, the rubbing of tiny atoms of hydrogen against the sides of the ship suffices to produce a permanent whistling which fills the cabin.
Every time the ship accelerates, the noise becomes shriller; not counting encounters with more or less dense clouds of various atoms. It is a lancinating music; isn’t it, really, what eulogized Huygens as “the music of spheres”?

Some astronauts cannot stand it, and they need to mask it with their favorite music records constantly playing throughout the trip; I love it, it is the music of my voyages in space, and when I am not in flight I miss it. Every change in the sound, in the tone or in the loudness, wakes me up when I am sleeping.

I recorded a few minutes of particularly pretty sounds (it’s my taste, how do you dare to contest it?), and corresponding images from the control screens of the ship.

When I play them, some feel sorry for me and ask: « How can you endure such uproar a whole flight long? »

I feel sorry for them, who are not able to recognize beauty. Poor men.

I must tell that the flight during which I recorded these minutes was not an easy going one ; the rocket nearly crashed on a large asteroid ; when I talk of a near miss, I mean that I passed at about 10 kilometers from the asteroid ; but ten kilometers from the rocky core is a zone where the concentration in gaseous molecules is already more than one hundred times that of the ordinary void, and the concert I owed to the hail of shots against the walls of the ship was proportional to this increasing. In all, between the actions needed to avoid collision when I discovered the danger, and the trajectory corrections to compensate for both deviations, the avoiding moves and the consequences of the meeting, I needed to work many hours; thus the record reminds me also of the needed wariness in every flight.

Besides, it is now time that I put all my attention upon the present flight, before an accident occurs because I am absent-mindedly speaking to you…

Spacey-Noises
¿Quien ha dicho que en el espacio no se oye ningún sonido? Es cierto para uno que esta en el vacío, seguro, pero no lo es dentro de una nave espacial. Cuando la nave corre a miles de kilómetros por segunda, el frotamiento en las paredes de las moléculas de hidrogeno es suficiente para producir un silbido permanente que resuena en toda la nave.

Y el sonido se hace más agudo cada vez que la nave acelera; sin contar los encuentros con nubes más o menos densas de gases o de átomos variados. Es una música lancinante. Quizá es, en cierto modo, la música de las esferas que había prometido Huyghens?

Algunos astronautas no la soportan y la esconden bajo música o sus grabaciones preferidas; pero a mi me gusta, es la música de mis viajes; cuando no estoy en vuelo, la echo mucho de menos. El menor cambio de tono o de amplitud me despierta del sueño más profundo.

He grabado algunos minutos de los sonidos más bellos (a mi entender), así como imágenes de las pantallas de control de la nave asociadas con estos sonidos.

Cuando les muestro, algunos se compadecen de mi: « ¿Como puede usted soportar tal jaleo durante un vuelo entero? »

Yo les compadezco a ellos que no saben como reconocer lo bello. Pobres.

Se debe, con verdad, decir que el vuelo en cual grabé estos sonidos no fue un vuelo muy fácil; el cohete rozó un asteroide muy gran; cuando digo rozó… pasó a unos diez kilómetros del asteroide; pero, a diez kilómetros de distancia del corazón rocoso, la concentración en moléculas gaseosas era ya cien veces mayor que en el vacío “absoluto” y el concierto debido a la metralla golpeando las paredes de la nave fue proporcionalmente acrecentado. Con todo, contando las maniobras para evitar el asteroide cuando lo había descubierto y las necesarias para corregir la trayectoria compensando ambas desviaciones, la de evitar el asteroide y la debida a su atracción, hube de trabajar como un loco durante horas; luego la grabación también me recuerda cuanta prudencia se necesita cada vuelo.

Pero ya es hora de dedicarme al vuelo, antes que ocurra un accidente mientras que os hablo…

Spacey-Noises
Qui a dit que dans l’espace on n’entend aucun bruit ? C’est vrai si on est dans le vide, bien sûr, mais pas dans un vaisseau spatial. Quand le vaisseau file à des milliers de km par seconde, le frottement sur les parois des molécules d’hydrogène suffit à produire un sifflement permanent qui résonne à l’intérieur.
Et à chaque accélération, le bruit devient plus aigu ; sans compter les rencontres avec des nuages plus ou moins denses d’atomes variés. C’est une musique lancinante. Mais n’est-ce pas d’une certaine façon la musique des sphères que vantait Huyghens ?
 
Certains spationautes ne la supportent pas, et la camouflent en passant en permanence leurs enregistrements sonores préférés ; moi je l’aime, c’est la musique de mes voyages ; quand je ne suis pas en vol, elle me manque. Le moindre changement de ton, ou d’amplitude, du son me réveille au milieu de mon sommeil.
 
J’ai enregistré quelques minutes de sonorités particulièrement jolies (à mon goût ; défense de le contester), ainsi que les images des écrans de contrôle de la nef qui étaient associées à ces bruits
 
Quand je les montre, certains me plaignent : « Comment pouvez vous supporter ce vacarme pendant toute la durée d’un vol ? »
 
C’est moi qui les plains de ne pas savoir reconnaître ce qui est beau. Les pauvres.
 
Il faut dire que le vol pendant lequel j’ai fait cet enregistrement n’a pas été de tout repos ; la fusée a frôlé un astéroïde de grande taille ; quand je dis frôlé… je suis passé à moins de 10 km de l’astéroïde ; mais, à 10km de la partie rocheuse, la concentration en molécules gazeuses était déjà plus de cent fois ce qu’elle est dans le vide « absolu », et le concert dû à la mitraille qui heurtait les parois de l’astronef était proportionnellement accru. Tout compris, entre les manoeuvres d’évitement quand l’astéroïde a été repéré et celles de correction de trajectoire pour compenser les deux déviations, celle liée à l’évitement et celle provoquée par la rencontre, j’en ai eu pour plusieurs heures ; alors l’enregistrement me rappelle aussi à la prudence nécessaire dans tout vol.
 
D’ailleurs, il est grand temps que je pense au vol en cours, avant qu’un accident ne se produise pendant que je vous parle…

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Eu, Cthulhu

ou
O QUE UMA CRIATURA CHEIA DE TENTÁCULOS COMO EU FAZ EM UMA CIDADE SUBMERSA COMO ESSA?

Com base no texto de Neil Gaiman

Eu fui gerado há incontáveis eras atrás, nas escuras brumas de Khhaa´ynghaliih (é claro que não sei como soletrar isso. Escreva como se fala). Nasci de pais inomináveis saídos de pesadelos, sob uma majestosa lua cheia. Não era a simplória lua deste simples planeta, aquilo é que era uma lua de respeito. Em certas noites, ela preenchia todo o céu e a medida que ela se erguia você podia ver o rastro escarlate riscando o firmamento, até que em determinado momento sua luz nauseante banhava todo o planeta em um tom vermelho sangrento. LEIA O TEXTO COMPLETO

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Citação

“A segurança é uma grande superstição. Não existe na natureza. A vida é uma aventura ou então não é nada.”
Helen Keller

Corda bamba

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