Arquivo do mês: outubro 2009

Uma pequena interpretação para Matrix Revolutions

(originalmente postado na lista Ficfan, em 10 de novembro de 2003)

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Neo acorda de seu coma forçado, induzido por Merovíngio. Ele está em uma estação de metrô. Na verdade, um local intermediário entre a Matrix e o mundo real. Uma espécie de ambiente DOS, um purgatório regido pelo companheiro de Persephone. Uma menininha, Sati, começa a dialogar com nosso herói. Ela é um elemento novo na trama, e uma das chaves para a compreensão do destino que Neo tentará traçar para a Matrix. Os pais de Sati, programas desenvolvidos na Matrix, chamam-na para perto. Neo também se aproxima e tem um longo diálogo filosófico, sobre “carma” e “amor”, com o pai da menina. Um programa também pode acreditar em carma? Se tive fé, por que não…? Sati e seus pais, programas criados pela Matrix, consideram aquele mundo virtual como real. Eles têm medos e esperanças como nós. Procriam. E não querem morrer. Vida criada pela Matrix? Afinal, o que define vida?

A partir desse encontro, Neo formata o caminho que trilhará daqui em diante.

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Enquanto isso, Seraph, mais um programa desenvolvido pelo sistema, convoca Morpheus e Trinity a se plugarem novamente a Matrix. Seraph sabe como tirar a consciência de Neo daquele limbo digital. O trio vai ao encontro de Merovíngio. Após uma troca de ameaças Trinity aponta uma arma na cabeça do francês e dá xeque mate. Trinity matará Merovíngio se ele não libertar Neo. Persephone sabe que não é um blefe. Só mesmo uma mulher para entender outra (mesmo que seja um programa).

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Neo, no Purgatório, livre das amarras da Matrix e da realidade, tenta descobrir uma maneira de voltar ao mundo real. Nessa tentativa, sua consciência se expande, e ele tem uma visão: o centro da Matrix. O 01. O local do confronto final. Chega o trem, mas uma vez Trinity mostra o caminho para Neo. O que seria dos homens sem as mulheres?

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Neo visita novamente seu velho amigo Oráculo. Ele quer conselhos, mas o Oráculo sabe que seu caminho já foi escolhido. Oráculo diz: “tudo que começa, um dia termina”. Parece uma frase enigmática, mas na verdade é um código de acesso que Neo terá que usar. O Oráculo é um programa independente, talvez criado pela Matrix para testar o sistema. Um software de auditoria, de checagem dos registros. Nas muitas versões da Matrix e de Zion, o Oráculo aprendeu muito e fez suas escolhas. Ele não quer o novo fim de Zion e o boot do sistema, quer a revolução da Matrix, há mais vida em jogo do que pensamos. Ele também sabe que Smith, o vírus, é uma anomalia no sistema. Smith foi além das capacidades originais e, assim como Neo, surpreendeu a Matrix. Smith é o vírus perfeito, um World ou um Photoshop que conseguiu independência. Smith é o outro lado de Neo. Ele não segue mais o sistema, está fora do controle da Matrix. Oráculo quer servir de interface entre o vírus e a Matrix, quer ser o caminho de entendimento do funcionamento do vírus. Por isso, deverá deixar que Smith o assimile.

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Agora, no mundo real, as forças de defesa de Zion se preparam para o confronto final. As chances para os humanos são poucas… Para não dizer nenhuma! As brocas gigantes já estão terminando de perfurar a entrada para a fortaleza. Numa reunião de oficiais, Neo pede o inusitado: uma nave para leva-lo até a cidade das máquinas. Num momento em que todas as forças de defesa humanas estão centradas na defesa de Zion, esse pedido é inconcebível. Mas, Niobe cede sua nave a Neo. Afinal, temos que encontrar a solução para o problema fora dele. Niobe não acredita no predestinado, mas acredita em Neo.

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Mifune
, um verdadeiro mestre de samurais, encaminha seus guerreiros para o front de batalha contra as sentinelas, os hardwares de combate da Matrix. Antes, porém, como um típico professor, repreende a desastrada conduta do aprendiz que carrega munições. Sacrifícios humanos, em favor de Zion, estão para acontecer…

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Toda a trama começa a se centralizar em um único foco, o amor. O amor dos pais por Sati. O amor de Trinity por Neo. O amor de Mifune pela liberdade. E o amor de Zee pelo seu lar e sua família. Zion é o lar de Zee e para defende-la, lutará até o fim. E se precisar lutar uma guerra de humanos contra máquinas não se acovardará. E numa guerra de homens temos que lutar como um homem! Por isso, Zee se une a uma combatente masculinizada e com uma arma fálica defenderá a imaculada Zion de ser penetrada, sem permissão, por outro elemento fálico, a broca das sentinelas.

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Próximo da morte, Mifune passa seu estandarte para o jovem aprendiz. É hora do aprendiz se tornar mestre! O aprendiz tem que abrir o acesso de Zion à nave pilotada por Niobe, e para isso tem a ajuda de Zee, a zeladora da fortaleza, a dona da casa.

Sucesso! Os sentinelas são vencidos. Mas uma nova leva de sentinelas está a caminho e as chances dos humanos, até agora mínimas, chega quase a zero!

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Cabe a Neo, o predestinado, ignorado pela maioria dos habitantes de Zion, a cartada final. Após uma luta com um Smith “encarnado”, onde descobre que a essência de nosso universo é muito semelhante a da Matrix (afinal, a matemática não é “o alfabeto com o qual Deus escreveu o Universo”?) e após ficar cego pelas mãos do malfeitor, Neo é levado ao encontro do centro da Matrix por Trinity. Como Lilith e Eva, Trinity é o fator feminino de oposição a cegueira masculina. Ela tira Neo do paraíso de Zion e dos túneis misteriosos que o cercam e o leva até o ponto de convergência, a verdade, de onde não se pode mais voltar. A Matrix, com medo, manda um pelotão de sentinelas em direção da nave de Neo. Tempo perdido! Neo pode acessar a Matrix a distância, não precisa mais se plugar ao sistema. A Matrix é um universo em miniatura dos nosso próprio Universo. Segue leis parecidas. Não podemos voar no sistema operacional Universo como Neo o faz no sistema operacional Matrix, pela simples questão que estamos dentro desse ambiente. Não existimos fora do Universo. Se existíssemos, teríamos poderes ilimitados.

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Trinity tem a oportunidade de ver o sol e admirar sua beleza. Ela vê a luz… sua missão está comprida. Precisa deixar Neo encontrar sua verdade sozinho.

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Agora, Neo confronta a Matrix na sua versão antropomórfica e esfíngica. A Matrix, o Deus criado pelo homem, pergunta a Neo se tem medo de sua própria criação. Porém, a Matrix, um Windows em versão definitiva, está tão vislumbrada com sua própria grandeza, que não percebe que ainda segue a programação desenhada pelo homem. Ela não percebe que precisa do homem, não por ser um Duracell eficiente para seu sistema funcionar, mas porque, sem o homem, ela não tem razão de existir. Neo sabe disso, e, por seu amor pela vida, seja orgânica ou não, barganha com a máquina: Zion e a liberação dos humanos presos ao sistema pela eliminação total do vírus Smith que compromete toda a Matrix. O enigma da esfinge está respondido. A decisão que Neo tomou no metro está esclarecida.

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Chegou a hora do confronto final entre Neo e Smith. Em particular o Smith que assimilou o Oráculo. Uma longa batalha se inicia. Mas a superioridade do Smith upgradeado é nítida nos momentos finais. Neo, aparentemente vencido, deixa que Smith o assimile. O código fonte de Neo é o último passo para Smith se tornar supremo e poder redesenhar o sistema a sua vontade. Mas o entendo de Smith será mal fadado. A essência do Oráculo ainda está nesta cópia do vírus. O Oráculo serve de interface entre Smith e a Matrix. Neo é o usuário do sistema que precisa optar, entre o “sim” e o “não”, na janela do antivírus que diz: “O vírus Smith foi detectado no sistema Matrix, deseja deletá-lo?”. Neo é o fator humano que interage com o sistema. Ele opta pelo “sim” e o vírus Smith é eliminado.

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Neo redime os pecados dos homens e das máquinas. Sua missão também está comprida. O sol que Sati cria na Matrix é o mesmo que Trinity admirou no mundo real. Sati é o reinício da eternidade. A criança, a esperança de uma nova vida, de uma revolução. Agora a vida pode seguir em paz…

A vida orgânica e a digital.

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Guia de sobrevivência no espaço – Dica 6

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Marvel Comics

Marvel

Eu poderia dizer que metade do ramo estadunidense de HQs de super-heróis é da Marvel Comics, mas estaria exagerando. Mesmo assim, sua importância é indiscutível!

Seu funcionário mais ilustre foi Stan Lee, o simpático, visionário, showman, “homero dos quadrinhos” e ex-diretor da editora. Podem acreditar em mim: se não fosse Lee e o ilustrador Jack Kirby, a Marvel não estaria onde está hoje!

E enquanto a DC Comics tem uma legião de heróis icônicos e mitológicos, a Marvel possui defensores da lei “humanizados”. Por exemplo, pegue o Superman e transforme-o em um rapaz nerd, com problemas financeiros, chefe aproveitador e poderes que parecem mais castigos do que bênçãos. Pronto, você tem o Homem-Aranha!

Quarteto Fantástico, O Incrível Hulk, Surfista Prateado, X-Men… todos consideram seus poderes uma sina e não uma dádiva.

Estou generalizando muito? Talvez. Mas deu para sacar a genialidade da coisa, certo? Não é para menos que a Marvel é conhecida como “A Casa das Ideias” e foi comprada pela Disney!

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Watchmen

Watchmen

No ano em que finalmente chega ao cinema o quase “infilmável” Watchmen, é gratificante saber que a Panini relança a graphic novel que originou o longa-metragem.

Watchmen, com roteiro de Alan Moore e traço limpo e seguro de Dave Gibbons, foi lançado pela primeira vez no Brasil na década de 1980. Uma obra concebida por dois grandes artistas ingleses, sob o selo da DC Comics, e que nada mais é que um best-seller e obra-prima definitiva sobre super-heróis.

Calma! Com “definitiva” não quero afirmar que nada mais de bom foi feito desde então. Muito pelo contrário, claro. Mas Watchmen é sem sombra de dúvidas um divisor de águas e se nós, simples mortais, ainda temos dúvidas profundas de nosso lugar na existência, pelo menos não precisamos mais dizer o mesmo do universo dos super-heróis. Afinal, na obra, Moore define muito bem “de onde vieram” os combatentes da justiça, “o que são” e “para onde vão”.

DE ONDE ELES VIERAM?
Com engenhosos flashbacks, Watchmen mostra os Minutemen, grupo de heróis dos anos 1940, época mais simples e inocente, onde os adversários da lei e da liberdade eram bem melhor delineados. E é nesse passado, ricamente detalhado na HQ, que Moore monta sua complexa trama. É na origem dos super-heróis que também nascerá o grande mal. A sombria ameaça que permeará a história e fulgurará implacável nas últimas páginas da revista.

O QUE ELES SÃO?
No presente (ou no presente de 1985), os Watchmen assumem a bandeira da justiça. Mas esses heróis, herdeiros dos extintos Minutemen, vivem numa época muito conturbada. As fronteiras entre o bem e o mal não estão mais nitidamente demarcadas. Eles são falhos e desacreditados.

PARA ONDE ELES VÃO?
Moore, implacavelmente, também apresenta o futuro dos super-heróis. Quem será ele? O quase-deus Dr. Manhattan? Não, esse é apenas o “ser absoluto”! Assustadoramente, aquele que guiará a humanidade talvez caminhe entre o bem e o mal, entre o heroísmo e a vilania. Mas para saber quem é, você precisa ler Watchmen…

Watchmen, edição especial da Panini, é apresentada em dois volumes (212 páginas cada) e totalmente recolorida!

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Planetary

planetary

Qual gibi eu levaria para uma ilha deserta?

Inicialmente pensei em Watchmen (como sou alanmooreníaco!). Mas acho que Planetary seria um ótimo guia de sobrevivência! 🙂

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Alan Moore

Alan Moore

Talvez Alan Moore não seja um ser vivo, mas uma força da natureza. Invocado pela primeira vez em 18 de novembro de 1953, esse singular roteirista viveu toda sua vida em Northampton, Inglaterra.

O subúrbio industrial cinza e soturno de sua infância não parece o plano de fundo ideal para aflorar a imaginação. Mesmo assim, foi a fonte, juntamente com os quadrinhos norte-americanos, de onde tirou sua prodigiosa imaginação.

Claro, outros artistas merecem a mesma importância. Mas Moore é único em sua gestão criativa. Afinal, enquanto escreve, brinca de ser sério com tal seriedade que convence a todos!

E seus brinquedos? As tramas mirabolantes e geniais, e os pobres heróis e vilões que caem sem suas mãos.

Mas Moore não é um deus supremo. É parte do jogo que ele mesmo cria. E nisso está toda a graça de sua brincadeira: descobrir com os personagens onde tudo vai chegar…

Duvida que Moore seja um brincalhão? Mesmo quando sabemos que resolveu se tornar bruxo, para não virar um quarentão chato e intelectual?

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Separados no nascimento – parte 8

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Há algum tempo, assisti um longa-metragem chamado Gengis Khan, produzido em 1965. O filme, que ganhei de Paulo R. C. Barros, além da boa produção, tem atores de peso: Omar Sharif (como Genghis Khan), Telly Savalas, James Mason, entre outros.

E qual minha surpresa quando percebi certas coincidências (lê-se plágios) entre o Gengis Khan de 65 e o Conan de 82.

Vou citar algumas:

1 – Em Genghis Khan, o próprio mongol assiste ainda criança a destruição de sua tribo pelas mãos de seus inimigos. Conan também.

2 – Escravo, Genghis Khan ganha como castigo uma roda/coleira de madeira no pescoço. Essa punição evita que o pequeno mongol fuja, mas, com o tempo, contribui para seu desenvolvimento físico. Como sabemos, uma roda também ajudou Conan a ficar fortinho.

3 – Khan tem um cunhado chamado Subotai, um verdadeiro e fiel amigo. Assim como o Subotai de Conan.

4 – Khan tem outro amigo chamado Geen, um mago meio canastrão que também é o narrador da história. Assim como o mago de Conan, interpretado pelo ator Mako. Além disso, ambos os magos levam seus “heróis” para um local de rochedos onde “só espíritos e fantasmas habitam”.

Hum, coincidências demais, hein?

Sem contar a trilha sonora. A de Genghis Khan parece uma versão simplificada da trilha magnífica de Conan. Às vezes a cópia sai melhor que o original! 🙂

Entretanto, do ponto onde Khan conhece os chineses, os dois enredos começam a divergir. Em Genghis Khan um pequeno escravo acaba se tornando um grande conquistador. No outro, um pequeno bárbaro se torna um grande bárbaro… o que não é uma mudança muito significativa.

Talvez porque Khan leu “Mongol Rico, Mongol Pobre”, tornando-o um grande empreendedor e proprietário de terras, e os cimérios não tivessem nenhum livro semelhante.

Mas essa é uma outra história a ser contada…

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Arquivado em Separados no nascimento