Eu, Cthulhu

ou
O QUE UMA CRIATURA CHEIA DE TENTÁCULOS COMO EU FAZ EM UMA CIDADE SUBMERSA COMO ESSA?

Com base no texto de Neil Gaiman
(Alguém sabe quem fez essa adaptação para eu poder creditar?)

Cthulhu por John Coulhart

Cthulhu eles me chamam. Grande Cthulhu. “O” Grande Cthulhu.

Ninguém sabe pronunciar corretamente.

Você está tomando notas? Cada palavra? Por onde devo começar… hmm?

Muito bem. Pelo início. Anote tudo Whateley.

Eu fui gerado há incontáveis eras atrás, nas escuras brumas de Khhaa´ynghaliih (é claro que não sei como soletrar isso. Escreva como se fala). Nasci de pais inomináveis saídos de pesadelos, sob uma majestosa lua cheia. Não era a simplória lua deste simples planeta, aquilo é que era uma lua de respeito. Em certas noites, ela preenchia todo o céu e a medida que ela se erguia você podia ver o rastro escarlate riscando o firmamento, até que em determinado momento sua luz nauseante banhava todo o planeta em um tom vermelho sangrento.

Aqueles eram os grandes dias.

Ou ao menos as noites. Meu lar natal possuía um sol, mas ele era velho, mesmo naquela época. Eu lembro que na noite em que ele finalmente explodiu nós todos rastejamos para a praias para assistir o espetáculo. Eu no entanto tinha de me virar sozinho.

Sabe, eu nunca conheci meus pais.

Meu pai foi consumido por minha mãe logo depois dele a fertilizar, e eu por minha vez a devorei segundos depois de nascer. Esta é minha memória mais antiga. Abrindo caminho para fora de minha mãe, roendo seu ventre por dentro, o delicioso sabor dela ainda em meus jovens tentáculos.

Não me olhe tão chocado Whateley. Eu acho vocês humanos igualmente repulsivos. Afinal que tipo de ser produz leite? Bem vamos em frente…

Eu passei meus primeiros milhares de anos vivendo no pântano. É claro que minha infância não foi das melhores. Eu tinha a cor de uma truta e pouco mais de cinco de seus metros. Sim, eu já fui pequeno e jovem. Eu passava a maior parte de meu tempo caçando coisas para comer, e evitando ser caçado e comido por algo maior.

Não tenho saudades dessa época, por isso vou avançar essa parte.

À propósito, alguém lembrou de alimentar os Shoggoths? Acho que escutei um lamúrio.

Um dia – acho que era uma quinta feira – eu descobri que havia mais na vida do que comer. (Sexo? Claro que não sua criatura ridícula. Eu não chegarei ao estágio de procriar até minha próxima transição; quando seu planetinha ridículo já estará em sua quinta ou sexta Era do Gelo). Como eu disse, era uma quinta quando meu tio Hastur veio me visitar rompendo a barreira entre planos até meu lado do cosmos. Ele vinha com a mandíbula fechada, o que significava que ele queria conversar e não jantar.

Esta é uma pergunta idiota mesmo para você Whateley. Eu por acaso uso minha boca para me comunicar com você? Mais uma pergunta estúpida como essa e eu arranjarei outro ser para anotar minhas memórias. E você vai alimentar os Shoggoths. Literalmente!

“Nós vamos dar uma volta nas redondezas” disse Hastur “Será que você gostaria de nos acompanhar”?

“Nós?” eu perguntei. “Quem somos nós?”

“Eu, Azathoth, Yog-Sothoth, Nyarlathotep, Tsathogua, Ia! Shub-Nigurath, o jovem Yugoth e mais uns outros. Você sabe os rapazes! (Eu estou traduzindo livremente para que você possa entender Whateley. Muitos deles não são exatamente rapazes, são mais uni, bi ou tri-sexuais, e o velho Ia! Shub Niggurath é um caso à parte. Esse lado da família sempre foi dado a exageros. Dizem que ele tem mil jovens. “Nós vamos dar uma volta por aí, e estamos pensando se você gostaria de vir junto. Será divertido”.

Para ser sincero Whateley, pensei em que tipo de diversão esses caras estariam interessados. Eu nunca fui muito chegado de meus primos, e tinha sérios problemas com alguns deles. Por exemplo, eu nunca conseguia reconhecer Nyarlathotep com seu gosto diversificado por formas e aspectos.

Outros eram simplesmente complicados como Gathanothoa e Daoloth. Você já imaginou ter de visitar alguém de olhos vendados? E Azathoth? Não há como conversar com este idiota, ele só tem ouvidos para aquelas flautas desafinadas sopradas por batráquios gigantes. Quando o visitei no Centro do Universo fiquei enjoado com aquela música de elevador, tocada repetitivamente.

Mas eu era jovem e ansiava por novas aventuras. Como eu disse estava enjoado de comer, enfarado do odor fétido de matadouro dos pântanos e incomodado pelos lamentos dos ngau-ngau e zitadors que eu devorava quando nada tinha para fazer. Eu respondi sim, como você provavelmente adivinhou e alguns dias depois me reuni com os demais no lugar marcado.

Lembro que passamos a era seguinte decidindo para onde iríamos. Cthugga preferia um lugar quente e tropical, Nyarlathotep sempre gostou de desertos e Ithaqua queria algo como o clima de montanhas. Você já viu criaturas de imenso poder discutindo? Todas elas se acham com a razão. Como se ceder significasse perder uma fração de sua divindade. Foi desgastante. Mas como sempre Yog-Sothoth tinha a palavra final, e ele resolveu vir para esse plano.

Você conheceu Yog-Sothoth não é minha pequena besta bípede?

Bem, ele abriu o caminho para nós chegarmos aqui.

Para ser honesto não achei grande coisa. Ainda não acho. Mas eu era jovem, e tudo era novidade naquele tempo.

Nossa primeira parada foi em Carcosa. O lugar me assustou. Naqueles tempos eu não suportava olhar para sua espécie sem sentir náuseas e arrepios. Nenhuma escama, nenhum pseudópodo, aquilo simplesmente não era natural e me dava arrepios.

Hastur tomou a forma dos nativos e surpresa uma hora depois já tinha se tornado Rei. Ficou tão feliz que resolveu instituir um novo símbolo e uma cor real. Só me pergunto porque ele optou pelo amarelo? Você o conhece? O Tatterdemallion King. Necronomicon página setecentos e quatro (na edição completa) comenta brevemente sua existência. Acho que aquele idiota do Prinn também escreveu sobre ele no De Vermis Mysteriis. Mas nunca tive paciência para ler essas bobagens.

Bem com Hastur na nobreza local, fui até ele perguntar o que mais se podia fazer nessa dimensão. Ele gargalhou. “Quando eu vim para esse plano pela primeira vez, uma mera cor do espaço, me fez a mesma pergunta”. Então ele contou como conquistar esses mundos simplórios, subjulgar seus habitantes, e extrair o medo deles a ponto deles te adorarem podia ser divertido. Era um sarro.

“É claro que as Coisas Velhas (elder things) não gostam nada disso”.

“Coisas Velhas”? eu perguntei.

“Sim. Sujeitos curiosos. Com suas cabeças em forma de estrelas do mar e corpos em forma de barril, com asas translúciodas usadas para voar pelo espaço”.

“Voar pelo espaço? Voar”? Eu estava chocado. Que tipo de criatura ainda usava asas para voar mesmo naquela época? Por que não se teleportar, se reintegrar, simplesmente aparecer em outro ponto? Eu logo vi porque os chamavam de Coisas Velhas. O que poderia ser mais antiquado?

“O que fazem essas Coisas Velhas”? eu perguntei ao Rei.

“Quase nada” ele explicou “eles simplesmente não gostam que mais ninguém faça isso.”

Eu agitei meus tentáculos como quem diz “conheci esse tipinho de criatura nos velhos tempos, e resolvia tudo antes da hora do jantar”.

“Você conhece algum lugar que eu poderia conquistar”? eu perguntei a ele.

Ele apontou para um lugar em uma pequena constelação. “Lá tem um lugar que você talvez goste, soube que muitos estão indo para lá. É o terceiro planetinha a partir do sol, não tem como errar.” ele gesticulou mostrando o caminho. “Eles vão chamar de Terra em um futuro distante. É um terreno novo, recém formado, mas tem espaço de sobra para se mudar”.

E para lá fui…

Isso é o bastante por enquanto Whateley. Continuamos mais tarde.

A saga de Cthulhu e suas doces memórias continuam em “Ei que planetinha disputado esse!” ou “A arte de conviver com vizinhos em forma de barril”?

Uma resposta para “Eu, Cthulhu

  1. Victor

    Cadê as continuações, só traduzir a primeira parte do texto é mesmo q nada

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