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Um conto para o Haiti


Inspirado pelo site Crossed Genres, o blog Ficção Científica e Afins, de Ana Cristina Rodrigues, criou uma iniciativa para ajudar as vítimas do terremoto no Haiti.

A proposta é a seguinte: cada escritor publica um conto em seu site ou blog e disponibiliza um link para a página do Ficção Científica e Afins que informa como ajudar o povo haitiano.

Me junto à iniciativa postando abaixo um conto que participou de uma rodada de minicontos da Fábrica dos Sonhos em 2007. O conto não fala do Haiti, mas tem uma personagem haitiana. 🙂

Para ajudar o Haiti, clique aqui.

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Fora da ordem

Por Carlos Relva

Planto a caneca que acabei de tomar café sintetizado na cabeça do garoto. Pirralho danado! Já disse para não usar o rádio, podemos ser localizados.

O garoto e a haitiana são o que sobrou do meu esquadrão. Agora o tanque é operado apenas por nós três. Conheci os dois na última missão. Adolescentes com famílias destruídas, sem ninguém… Insistiram em fazer parte da equipe. Eles têm potencial. E a garota está ficando bonitinha…

O tanque emprega inteligência artificial, apesar de não ser tão “inteligente” assim. Basicamente, serve para sintetizar alimentos e encontrar minas explosivas de profundidade.

E a sua munição está acabando! Não tem mais nada para os canhões. Só um pouco para o armamento leve.

O restante dos meus subordinados? Mortos pela corporação Liu Sarasvati! Aqueles desgraçados até transformaram meus homens em necrosoldados. Há uns dois anos vi a cabeça de Mendez, meu antigo subcomandante, no corpo mecânico de um necrosoldado. Quase nos pegaram naquela ocasião…

Estamos enfurnados neste tanque há quatro anos. Isso é tempo! Percorremos milhas de geleira antártica, por cima e por baixo, andando em ziguezague para desviar de armadilhas, tentando alcançar um posto estratégico inimigo e destruí-lo. Finalmente, estamos perto do nosso objetivo.

Passo o briefing da missão, e horas depois eu e o garoto já estamos no gelo com as mochilas explosivas em nossas costas. A haitiana fica a bordo, a espera do nosso retorno.

Corremos alguns metros e ouço um estalo… Minas de superfície! Tão pequenas que o tanque não detectou. O chão explode e vejo minha perna direita voar pelos ares! O garoto está bem.

– Corre moleque! – grito agonizando. O garoto passa pelas minas e desaparece num declive.

O céu enche de flutuadores inimigos. Chegaram rápido demais! Os necrosoldados descem. Meto bala neles, mais parecem não sentir. Perdi! Pego a pistola e resolvo dar um tiro na minha cabeça.

– O que vai fazer? – pergunta um necrosoldado enquanto retira o capacete. É Mendez!

– Não vou me tornar um necrosoldado! – respondo, já com a vista meio turva.

– Isso é lenda! – diz Mendez. – Aliás, a guerra acabou, sabia?

– Acabou?

– Sim, a Liu Sarasvati comprou a Valdez, da qual somos subsidiários. Agora, a nova megacorporação tem prazo para reconstruir tudo. Estamos tentando entrar em contato com você há dois anos, mas o seu rádio nunca está funcionando!

Enquanto médicos começam os procedimentos para clonagem da minha perna, uma mulher se aproxima de Mendez. Suponho ser a comandante. Apesar do exoesqueleto blindado, vejo que é bonita. Informa que o garoto e a menina já foram capturados, estão seguros e se divertem num vôo de flutuador.

Ao se retirar, ela me oferece um leve sorriso, cumprimentando-me com reverência. Seu rosto tem um traço exótico, indiano. Não sei se a saudação respeitosa é um costume de seu povo ou se ela tem admiração por mim: fui um peixe difícil de pescar! Prefiro a segunda hipótese.

– Só você sobreviveu àquele ataque em Windhond? – pergunto.

– Não, há muitos outros…

Essa foi a segunda melhor notícia do dia.

– Jeitosinha sua comandante, hein? – mudo de assunto.

– Mulherengo como sempre, capitão? – diz Mendez, dando gargalhadas.

– Ora, já que a guerra acabou, tenho que usufruir do que a nova ordem mundial tem a oferecer, não é mesmo?

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Arquivado em Ficção científica, Solidariedade

Amigo Secreto Literário de Natal 2007 no Calaméo

Projeto desenvolvido por Joshua Falken, da Fábrica dos Sonhos, onde cada escritor presenteou outro com um conto, usando como inspiração para elaboração do texto uma imagem fornecida pelo próprio presenteado.

Foram treze participantes e o resultado do projeto ficou muito bom!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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A Nova Odisséia Humana

Esta é uma ilustração que criei para “Fuga de Olek”, de Claudiney Martins, o primeiro número da série de ficção científica A Nova Odisséia Humana. A série está sendo desenvolvida na lista Sci-Pulp ligada a Fábrica dos Sonhos.

A Nova Odisséia Humana

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